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Aqui está um tema polêmico e repleto de dúvidas, pois grande parte das pessoas pensa que os idosos não possuem sexualidade.
Mas afinal, quais são os motivos que levam sociedade a restringir e ignorar a existência do sexo na fase adulta avançada, sendo este um fator tão importante para a qualidade de vida dos idosos? Isto ocorre devido aos estereótipos referentes à degradação biológica da sexualidade e internalizados ao longo da vida, tanto pelos idosos como pelas pessoas que os cercam.
A imagem desviada da sexualidade das pessoas mais velhas é suportada pela falta de dados empíricos sobre as necessidades sexuais, sentimentos e experiências. Em geral, quando os idosos são incluídos nos estudos sobre sexo, são inadequadamente representados.
Na terceira idade, muitas pessoas são viúvas ou não possuem um parceiro sexual, e seu desempenho medido não reflete com precisão o papel que o sexo ocupa em suas vidas.
Os idosos também podem ter contribuído para estes clichês, por meio de certos comportamentos e atitudes, assumindo um papel que a sociedade espera que eles representem. Sem falar que alguns se sentem embaraçados em uma conversa sobre sexo.
As pessoas que trabalham na área da Saúde, particularmente em instituições, frequentemente, têm ideias padronizadas sobre os idosos e, consequentemente, contribuem para restringir a expressão de sua sexualidade.
Os estereótipos dividem-se em três categorias: na cessação da sexualidade com a idade, nas influências negativas que o sexo pode causar à saúde e na conotação perversa se os idosos continuarem a terem relações sexuais.
Entretanto, tal cenário está se transformando lentamente devido a diversos fatores, como o envelhecimento progressivo da população, decorrente dos avanços da medicina. Além disso, a introdução do Viagra (sildenafil) no mercado, em 1998, também contribuiu para uma modificação da percepção da população sobre a sexualidade dos idosos. A terceira idade reconheceu publicamente a importância deste medicamento e, consequentemente, da sexualidade em suas vidas.
De acordo com Vasconcelos (2004)¹: “A geração que ultrapassou os 50 anos, idade em que marca início das alterações biopsicosociais caracterizando o envelhecimento, confronta-se atualmente com um conflito entre os estereótipos e os valores ligados à sexualidade internalizados ao longo da vida e a oferta recente de recursos que permitem assumir as inclinações pessoais realmente percebidas.”
Estes padrões negativos encobrem que a sexualidade é resultado de uma diversidade de aspectos biológicos, psicológicos, históricos e sociais (Lima, 2003 cit in Lima, 2006).
Investigar apenas um fator dentre os vários supracitados seria imprudência e não englobaria toda a gama de aspectos que envolvem o desenvolvimento da sexualidade humana.
(Na próxima edição, falaremos dos fatores biológicos, psicológicos e sociais que influenciam a sexualidade no processo de envelhecimento humano).
VASCONCELOS, D. et al.(2004). “A sexualidade no processo do envelhecimento: novas perspectivas- comparação transcultural”. Estudos de Psicologia, 9 (3), 413-419.
PARA SABER MAIS
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