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Um dos aspectos determinantes para a qualidade de vida das pessoas na idade adulta avançada é a sexualidade, condicionada à influência de fatores diversos, sejam eles biológicos, psicológicos, históricos ou sociais.
Sob os fatores biológicos, por exemplo, atuam os sistemas hormonais, vasculares, as doenças e os tratamentos a elas associados. Há que se levar em conta ainda as transformações físicas que acontecem ao longo do processo de envelhecimento, considerando a interferência dessas mudanças no sentido de identidade das pessoas.
De acordo com definição de Margarida Pedroso de Lima, o conceito de identidade física refere-se à percepção individual sobre a aparência do nosso corpo, das suas competências e das suas limitações. "O envelhecimento físico e as doenças são, por conseguinte, um desafio à manutenção da identidade ao longo do tempo". Com isso, pode-se deduzir que a reação de cada indivíduo às mudanças e perdas durante o processo de envelhecimento depende do foco que mantiver sobre a sua identidade. Segundo o teórico Erikson, quanto maior for a capacidade de se adaptar a essas transformações amplia-se a possibilidade de vivência desta última fase da vida com integridade.
Em relação à variável da idade, costuma-se considerá-la "uma variável vazia" por se referir apenas à passagem do tempo. No entanto, configura uma das influências mais significativas nas mudanças ao longo do ciclo de vida. Como querem alguns autores, o desejo e o comportamento sexual alteram consideravelmente com o avanço da idade. Outros, entretanto, opõem-se a esta perspectiva e defendem que, se não houver uma doença que interfira no desejo sexual, o interesse por sexo permanece nos idosos. Um ponto de acordo é que a sexualidade e a capacidade de sentir prazer sexual ocorrem na maioria dos homens e mulheres, e estes podem ser ativos sexualmente e manter-se férteis ao longo da idade adulta. Nesta perspectiva, é importante ressaltar que o processo de envelhecimento apresenta características individuais, não admitindo portanto generalizações, como as particularidades do caso de uma mulher, que pode entrar na fase da menopausa aos 35 anos, enquanto outra, aos 55 anos.
Os hormônios, que exercem influência sobre o desejo sexual, sofrem alterações na produção e no funcionamento com passar dos anos. Nas mulheres, a produção de estrogênio diminui com a chegada da menopausa, causando atrofia e diminuição da lubrificação vaginal. Como consequência, o ato sexual ocorre com certo desconforto e dor. A diminuição da atividade sexual nas mulheres idosas pode ser resultado de maior desconforto no coito mais do que por diminuição do desejo sexual. Estudos sugerem que a testosterona nas mulheres em fase pós-menopáusica aumentam o desejo e o prazer sexual. Já nos homens, os níveis de testosterona sofrem um decréscimo dos 40 aos 70 anos.
As doenças crônicas influenciam diretamente o funcionamento sexual, pois afetam os mecanismos fisiológicos, nos processos endócrinos, neuronais e vasculares, responsáveis pelas respostas sexuais, além de prejudicar o bem-estar do organismo em sua totalidade. Ainda, alguns medicamentos, como remédios antidepressivos e anti-hipertensivos, podem afetar negativamente o desempenho sexual. Esta medicação atua diretamente na resposta e desejo sexual, e de forma indireta pode influenciar o bem-estar geral, os níveis de energia e humor do indivíduo.
Fatores psicológicos são outros que influenciam diretamente o desejo, as práticas e comportamento sexual. Os aspectos psicológicos determinam as atitudes, o conhecimento, as expectativas individuais e o parceiro sexual. A disponibilidade de um parceiro é elemento igualmente importante na existência de relações sexuais nos adultos mais velhos. Na faixa etária acima dos 50 anos de idade, há uma predominância de mulheres devido a sua maior esperança de vida em relação aos homens. E, conforme a idade avança, essa tendência mostra um aumento progressivo. Este fato limita a oportunidade de relações sexualizadas. A falta de um parceiro disponível pode ser um dos motivos do abandono da atividade sexual por mulheres – não determinando, porém, a renúncia ao interesse e aos comportamentos sexuais.
Segundo pesquisa elaborada por Brecher, quando há a disponibilidade de um parceiro, os adultos na meia idade dão continuidade à vida sexual, com o desejo sexual mantido ao longo do tempo.
Alguns entrevistados expressaram a importância do sexo para seu bem-estar físico e psicológico. Muitos revelaram desejar e buscar o orgasmo em suas experiências sexuais, sentir-se frustrados quando não atingem o orgasmo (como outros grupos de idade), praticar uma variedade de técnicas sexuais, incluindo sexo oral, e a maioria indicou que o sexo depois dos 60 os satisfaz mais do que quando eram mais jovens. Observa-se, assim, uma diversidade de fatores que podem influenciar a sexualidade nos idosos, pretendendo-se um breve esboço destas variáveis.
Leia mais:
A sexualidade no processo do envelhecimento: novas perspectivas- comparação transcultural Doris Vasconcellos e outros autores
Sexualidade de "terceira" na terceira idade? Margarida Pedroso de Lima
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Comentários
Gostaria se possivel indicar-me outros livros sobre o assunto que possa sustentar meu trabalho.
obrigada,
Conce
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